sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Em reunião comissão Cadência/Granja planeja evento de capoeira no Extremo-Oeste

Hoje, às 20 horas, a comissão do grupo Cadência/Granja se reuniu, na sede do Instituto José Xaveir, para planejar o 1º Litoral na Cadência do Berimbau, evento de capoeira que acontecerá na cidade de Granja, no Litoral Extremo Oeste, no mês de março de 2017.


Na pauta foi debatido a necessidade da valorização da capoeira e a viabilidade financeira de um evento de grande porte para o mundo da capoeira no Extremo Oeste.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Capoeiristas realizam plantio de mudas com associação AMA

No último domingo (05) o Grupo de Capoeira Cadência, sob a coordenação do Monitor Luciano (Athatha) participou do plantio de mudas na Escola EFM Cel. Luiz Felipe.



A ação teve o objetivo de arborizar todo o entorno da escola e foi organizada pela Associação Granjense de Proteção ao Meio Ambiente - AMA. Foram plantadas 20 mudas e ação continuará em outros locais da cidade de Granja, Ceará. Está previsto uma campanha de preservação do rio Coreaú durante o carnaval.



A participação do grupo Cadência, em parceria com a AMA, é importante na sensibilização dos capoeiristas na preservação do meio ambiente.

terça-feira, 22 de março de 2016

Corridos, Quadra, Chula e Ladainha: a música da Capoeira

A música na Capoeira pode ser classificada de 4 formas diferentes:
Corrido: como o próprio nome já sugere, o corrido é uma cantiga que "acelera" o ritmo e que se caracteriza pela junção do verso do cantador com as frases do refrão repetido pelo coro total ou parcialmente, dependendo do tempo que o cantador dá entre os versos que canta.Ex:
           Cantador: "Iê, é hora, é hora"
           Coro: "Iê, é hora, é hora camará"
O cantador faz versos curtos e simples que são à toda hora repetidos e o conjunto deles é usado como refrão pelo coro. O texto cantado pode ser retirado de uma quadra, de uma ladainha ou de uma chula ou ainda de cenas da vida cotidiana, de um passado histórico ou simplesmente da imaginação do cantador. Geralmente, o corrido é cantado nos toques de São Bento Grande, Cavalaria, Amazonas, São Bento Pequeno, sempre em toques mais acelerados. No corrido, o cantador não tem a preocupação de contar nenhuma história, as frases são ditas aleatoriamente.
Quadra: é uma estrofe curta de apenas quatro versos simples, cujo conteúdo pode variar de acordo com a criatividade do compositor que pode fazer brincadeiras com sotaque ou comportamento de algum companheiro de jogo, pode fazer advertências, falar de lendas, fatos da capoeira ou figuras importantes da capoeira. Normalmente as quadras terminam com uma chamada ao coro que pode ser: camaradinha, camará, volta ao mundo, aruandê..... dentre muitas. Ex:
           "No tempo que eu tinha dinheiro,
                  eu vivia com Iaiá.
            Mas agora o dinheiro acabou,
                   Iaiá me deixou"
Chula: é uma cantiga curta, normalmente feita de improviso que faz apresentação ou identificação. É entoada pelo cantador para fazer a abertura de sua composição. Normalmente faz uma louvação aos seus mestres às suas origens, pode ainda fazer cultos a fatos históricos, lendas ou algo que diga respeito à roda de capoeira. É comum aos cantadores da roda usarem a chula como introdução para os corridos e ladainhas e, durante a mesma é sugerido um refrão para o coro cantar. Ex:
           "Luta que era o maculelê,
          Virou dança para não morrer
            Capoeira, Cruzeiro, Cerrado,
          Roda aberta pra quem quer jogar
       O meu mestre quer ver você balançar"
 Ladainha: É um ritmo lento, sofrido, dolente, é como uma reza, uma oração muito parecida com as que são feitas na igreja em louvor ao terço. O conteúdo de uma ladainha corresponde a uma oração longa e desdobrada pelo cantador em versos entremeados pelo refrão repetido pelo coro. As ladainhas,são cantadas antes do jogo. Os participantes da roda devem ficar atentos ao cantador, pois na ladainha pode ser feito um desafio e, quando for dada a senha para o início do jogo qualquer um pode ser chamado neste desafio. Na ladainha sempre conta-se uma história, geralmente sem a resposta do coro, que participa apenas no momento que o cantador acaba a história e entre no canto de entrada dizendo "Iê vamos simbora/Iê é hora é hora" e assim por diante, até chegar na expressão "dá volta ao mundo".

Fonte:http://capoeiranovagera.blogspot.com.br/2011/12/corridos-quadra-chula-e-ladainha-musica.html

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Conselho Nacional do Esporte anuncia decisão que capoeira é um esporte

Chegou ao fim uma discussão que perdurava há tempos: capoeira é esporte. A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional do Esporte (CNE), órgão consultivo do Ministério do Esporte, que se reuniu na última terça-feira no Rio. Como havia o entendimento de que capoeira é uma dança, a modalidade não podia ser beneficiadas por programas do Ministério do Esporte, como o Bolsa Atleta.
http://e-c3.sttc.net.br/uploads/RTEmagicC_5c747ac898.jpg.jpg
(Foto: Divulgação)
"A capoeira é esporte, tem competições, são atividades importantes para o condicionamento físico. Crianças, adultos e idosos praticam a mesma para diminuir a obesidade e, principalmente, são atividades que têm federações e confederação. Já tinha aprovação do Conselho, mas ainda não havia a publicação do Ministério do Esporte de uma resolução a esse respeito”, comemorou Jorge Steinhilber, presidente do Conselho Federal de Educação Física (CFEF).
A decisão que beneficia a capoeira também afeta outras artes marciais. A partir do momento que o Ministério do Esporte publicar resolução admitindo-as como modalidades esportivas, a pasta pode repassar recursos para confederações e atletas desses esportes. Atualmente, a capoeira não é incluída no Bolsa Atleta. http://www.correio24horas.com.br/single-esporte/noticia/conselho-nacional-do-esporte-anuncia-decisao-que-capoeira-e-um-esporte/?cHash=280046052d10ae9d2bcae5ad3e2af772

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Volta ao Mundo

Quando os dois jogadores realizam uma ou mais voltas dentro da roda, chamamos a isso volta ao mundo.
capoeira_voltamundoQuando é que se deve dar a volta ao mundo?Quando um capoeirista que estava a realizar um jogo é chamado através da compra por um outro capoeirista para jogar. No caso de este estar, ou quiser ir para o pé do berimbau para iniciar este novo jogo, pode pedir a volta ao mundo.
Quando um jogo está a desenvolver-se com uma certa linguagem e, de repente, um dos jogadores decide ser um pouco mais objectivo, aplicando um movimento que mude a dinâmica do jogo, fazendo com que o outro jogador, vacile ou caia. Este que foi enganado, no calor do jogo, pode pedir a volta ao mundo, como forma de se concentrar para a nova postura que terá de assumir e quebrar a concentração do seu oponente.
Em deteminadas circunstâncias, o jogo pode estar com os ânimos um pouco mais exaltados, pode-se então pedir a volta ao mundo, como forma de acalmar as coisas, ou até mesmo, quando se está em vantagem no jogo, como forma de irritar o parceiro.
Em que sentido é feita a volta ao mundo?
O sentido é anti-horário. No entanto, vê-se em determinados momentos, os capoeiristas fazerem a volta ao mundo no sentido horário.
Alguns cuidados que se devem ter na volta ao mundo
Não se deve correr ou andar muito perto do outro jogador durante a volta ao mundo, pois durante a volta a malícia e a malandragem podem ser um factor surpresa, podendo ser aplicados golpes ou movimentos durante a volta, chamando-se logo em seguida para o jogo.
Quanto à parte musical, se a pessoa que estiver a comandar a roda cantar a conhecida música:
Oi ia ia mandou dar
Coro
Uma volta só 
Oi ia ia mandou dar
CoroUma volta só

Os jogadores devem retomar prontamente ao jogo.
Considerações finaisComo vemos, a volta ao mundo pode ser feita por diferentes motivos, ambos os jogadores devem estar atentos durante a volta, pois o jogo pode mudar a partir do que irá ou não acontecer durante a volta ao mundo.s
Na volta que o mundo deu,
Na volta que o mundo dá
https://capoeiraaltoastral.wordpress.com/sobre-capoeira/volta-ao-mundo/

terça-feira, 16 de junho de 2015

"A victoria do jogo brasileiro: capoeira versus jiu-jitsu"

Alforria Capoeira: "A victoria do jogo brasileiro: capoeira versus jiu-jitsu"

"A victoria do jogo brasileiro: capoeira versus jiu-jitsu"


Estávamos em 1909. A Marinha de Guerra do Brasil tinha acabado de contratar, diretamente do Japão,  um grande campeão e professor de jiu-jitsu, o Senhor Sada Miako. Foi o que bastou para despertar, em atuante grupo de acadêmicos de medicina, a idéia de um tira-teima com a capoeiragem brasileira. Apresentaram, como oponente ao japonês, o campista (Município de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro), o Senhor Francisco da Silva Cyríaco, mais conhecido como Cyríaco Macaco Velho. Francisco da Silva,  mestre de vários desses universitários,  era considerado um dos maiores, senão o maior capoeira brasileiro da época.
Depois de natural relutância, autoridades (inclusive autoridades militares) e o Sr. Pachoal Segreto, proprietário-administrador do  Pavilhão Internacional, resolveram aceitar o desafio.
Em muito pouco tempo, Brasil e Japão tomaram conhecimento do resultado da luta.   Cyriaco, com surpreendente rabo-de-arraia  vencera o campeão que, perplexo, não aceitou a revanche que, ainda no tablado, lhe foi oferecida pelo capoeira.
Dentre as diversas reflexões que o episódio e os registros fotográficos sugerem, neste momento, destaco quatro:

1.      Se houve  luta pública de capoeira, aprovada e presenciada por autoridades civis e militares, como continuar afirmando que a Capoeira só foi liberada (?) pelo Presidente Getúlio Vargas, décadas mais tarde,  através de decreto específico (e fantasma), logo após o presidente assistir roda exemplar?
2.      A adoção de um grande capoeirista por grupo de acadêmicos de medicina, coincidência ou não, voltou a acorrer algumas décadas mais tarde, em Salvador. Talvez um grupo menor de acadêmicos, mas extremamente dedicado e competente, sendo impossível e injusto não destacar a importância de dois deles: 1. O cearense José Cisnando Lima, estudioso também de  outras lutas e conhecedor, como Bimba, do precioso livro  de Annibal ZUMA Burlamaqui); e 2.Ângelo Decânio Filho, também praticante de judô, que hoje em dia, forte e atuante, no alto de seus 83 anos, é considerado a mais importante fonte de informação e intérprete da chamada Luta Regional Baiana.
3.      Pelo tipo de ginga e pela  distinção dos trajes de Cyriaco realmente faz sentido considerar, como fez o Jornal do Capoeira (com muito humor), se esta não seria a linhagem do sempre elegante Mestre Leopoldina.
4.      A deplorável insensibilidade crônica da grande maioria dos mestres, contramestres e pesquisadores do Rio de Janeiro para a importância da Capoeira do Rio Antigo em geral, e da capoeira de Cyriaco em particular. Pena que tenha faltado um Decânio no grupo de alunos de Cyriaco, pois, neste caso, ele não estaria tão esquecido pelos cariocas, fluminenses e brasileiros em geral (com as raras e honrosas exceções de sempre). Em que pese, é claro, o histórico movimento que fizeram os alunos de Cyriaco que culminou no confronto em tela.

Ironicamente ouço falar mais deste passado heróico do Rio de Janeiro quando viajo. Foi o que aconteceu em visita recente a Aracaju, Sergipe (para detalhes recomendo navegada no Jornal do Capoeira, editado pelo Miltinho Astronauta), onde fui agraciado com valioso presente: um pacote de revistas antigas, publicadas no Rio, então capital federal e distribuídas por todo Brasil. Por elas, entre outras preciosidades, verifico que o famoso conjunto de fotos publicado na Revista Careta (sobre Cyriaco), foi também publicado, em várias outras. Com mais ou menos fotos.  Como está havendo crescente interesse para esta parte ainda encoberta da História da Capoeira, aproveito essa crônica para publicar uma variante do famoso conjunto de fotos feito por ocasião da histórica vitória do  Capoeira sobre o Campeão de Jiu-Jitsu:A Marinha de Guerra do Brasil tinha acabado de contratar, diretamente do Japão, um grande campeão e professor de jiu-jitsu, o Senhor Sada Miako. Foi o que bastou para despertar, em atuante grupo de acadêmicos de medicina, a idéia de um tira-teima com a capoeiragem brasileira. Apresentaram, como oponente ao japonês, o campista (município de Campos dos Goytacazes, no Rio), o Senhor Francisco da Silva Cyríaco, mais conhecido como Cyríaco Macaco Velho. Francisco da Silva, mestre de vários desses universitários, era considerado um dos maiores, senão o maior capoeira brasileiro da época.Depois de natural relutância, autoridades (inclusive autoridades militares) e o Sr. Pachoal Segreto, proprietário-administrador do  Pavilhão Internacional, resolveram aceitar o desafio.

Em muito pouco tempo, Brasil e Japão tomaram conhecimento do resultado da luta. Cyriaco, com surpreendente rabo-de-arraia, venceu o campeão que, perplexo, não aceitou a revanche que, ainda no tablado, lhe foi oferecida pelo capoeira.Dentre as diversas reflexões que o episódio e os registros fotográficos sugerem, neste momento, destaco quatro: 

 Se houve luta pública de capoeira, aprovada e presenciada por autoridades civis e militares, como continuar afirmando que a Capoeira só foi liberada (?) pelo presidente Getúlio Vargas décadas mais tarde, através de decreto específico (e fantasma), logo após o presidente assistir roda exemplar?A adoção de um grande capoeirista por grupo de acadêmicos de medicina, coincidência ou não, voltou a acorrer algumas décadas mais tarde, em Salvador. 

Talvez um grupo menor de acadêmicos, mas extremamente dedicado e competente, sendo impossível e injusto não destacar a importância de dois deles: o cearense José Cisnando Lima, estudioso também de outras lutas e conhecedor, como Bimba, do precioso livro de Annibal ZUMA Burlamaqui); e Ângelo Decânio Filho, também praticante de judô, que hoje em dia, forte e atuante, no alto de seus 83 anos, é considerado a mais importante fonte de informação e intérprete da chamada Luta Regional Baiana.

Pelo tipo de ginga e pela distinção dos trajes de Cyriaco, realmente faz sentido considerar, como fez o Jornal do Capoeira (com muito humor), se esta não seria a linhagem do sempre elegante Mestre Leopoldina.A deplorável insensibilidade crônica da grande maioria dos mestres, contramestres e pesquisadores do Rio de Janeiro para a importância da Capoeira do Rio Antigo em geral, e da capoeira de Cyriaco em particular. Pena que tenha faltado um Decânio no grupo de alunos de Cyriaco, pois, neste caso, ele não estaria tão esquecido pelos cariocas, fluminenses e brasileiros em geral (com as raras e honrosas exceções de sempre). Em que pese, é claro, o histórico movimento que fizeram os alunos de Cyriaco que culminou no confronto em tela.Ironicamente, ouço falar mais deste passado heróico do Rio de Janeiro quando viajo. Foi o que aconteceu em visita recente a Aracaju, Sergipe (para detalhes recomendo navegada no Jornal do Capoeira, editado pelo Miltinho Astronauta), onde fui agraciado com valioso presente: um pacote de revistas antigas, publicadas no Rio, então capital federal e distribuídas por todo Brasil. Por elas, entre outras preciosidades, verifico que o famoso conjunto de fotos publicado na Revista Careta (sobre Cyriaco), foi também publicado em várias outras. Com mais ou menos fotos. Como está havendo crescente interesse para esta parte ainda encoberta da História da Capoeira, aproveito essa crônica para publicar uma variante do famoso conjunto de fotos feito por ocasião da histórica vitória do Capoeira sobre o Campeão de Jiu-Jitsu:

Manchete Final da Ilustração: 
"Cyriaco, como todos sabem, venceu em poucos minutos, no tablado do Concerto Avenida, o até então invencível Miaco, professor japonez da luta jiu-jitsu. Cyriaco, natural de bom gênio, mas destro e conhecedor de capoeiragem como poucos quis repetir a dose, no que não consentiu o japonez vencido. Isto vem provar mais uma vez as vantagens da capoeiragem como exercício, que há longo tempo preconizamos pelas columnas do Jornal do Brasil, vantagens que subiriam mais se fosse methodizado o exercício, expurgados os golpes misteriosos e mortaes". (Revista da Semana, 30 de maio de 1909 - Domingo - Anno IX - 472)

fonte e creditos-   

http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/a+victoria+do+jogo+brasileiro+capoeira+versus+jiu-jitsu+-+parte+final